O que é e como tratar a insuficiência venosa?

A insuficiência venosa surge quando um ou dois dos importantes mecanismos de circulação do sangue se comprometem, seja pela obstrução das paredes das veias ou pela incapacidade das válvulas de controlar o refluxo venoso. 

Mas, antes de começarmos a falar sobre os tratamentos disponíveis para tratar as complicações causadas por esta doença, você precisa conhecer mais sobre os tipos de doenças venosas, suas classificações, sintomas e causas. 

Para isto, preparamos um conteúdo simples e completo para que você possa tirar todas as suas dúvidas antes de procurar o médico.

A classificação clínica do surgimento das doenças venosas, portanto, se baseia em duas teorias. A Teoria Parietal e a Teoria Valvular que, basicamente, explicam os motivos do surgimento dessas complicações.

 

Teoria Parietal vs Teoria Valvular

 

A Teoria Parietal explica que os problemas venosos nos membros inferiores acontecem pela fragilidade da parede venosa. A pobreza na elasticidade, acaba provocando dilatação e um espaçamento das paredes das veias, impedindo que as válvulas se fechem corretamente.

A Teoria Valvular explica que as válvulas responsáveis por controlar o fluxo de retorno do sangue, acabam ficando incompetentes pela hipertensão do sangue. Quando este funcionamento fica inadequado, a passagem se compromete e a sobrecarga em cima das válvulas as torna inoperantes ou defeituosas.

 

CEAP (Classificação Clínica (C), etimológica (E), anatômica (A) e patológica (P)) da insuficiência venosa.

 

Não é só o surgimento de varizes que indicam um problema venoso, por trás deste problema estarão relacionadas questões genéticas, de hábitos de vida e alimentação.

Muitas são as alterações que podem afetar os membros inferiores e todas elas recebem uma classificação específica, dependendo do nível de comprometimento que ela causa e sua respectiva gravidade. 

 

Classificação clínica da doença venosa (CEAP)

 

  • C0 – Sem doença
  • C1 – Teleangiectasias e/ou veias reticulares
  • C2 – Veias varicosas
  • C3 – Edemas
  • C4 – Alterações de pele (pigmentação, eczema, lipodermatofibrose)
  • C5 – Úlcera Curada
  • C6 – Úlcera Ativa

 

Teleangiectasias (C1) são dilatações intradérmicas nos capilares venosos, mais conhecidas como vasinhos ou aranhinhas. Suas causas são relacionadas a idade, exposição ao sol, genética e varizes. As veias reticulares são veias um pouco mais calibrosas que as teleangiectasias, identificadas como trajetos azulados na pele, geralmente participando como veias nutridoras das teleangiectasias.

As veias varicosas (C2), como já explicamos anteriormente em nosso site, são aquelas veias destacadas, dilatadas e tortuosas que aparecem nas pernas, coxas, panturrilhas e pés, geralmente acompanhadas de dor, câimbras e inchaço.

Sempre preocupante, os edemas (C3) são o acúmulo de líquido nos tecidos do corpo, o famoso inchaço. Este inchaço, seja acompanhado por dor ou simples desconforto e sensação de peso, indica problemas na circulação. As doenças relacionadas podem ser no fígado, trombose, insuficiência renal, venosa ou cardíaca. No entanto, elas também podem surgir quando a pessoa passa muito tempo sentada e também, seu aparecimento pode ocorrer na menstruação e gravidez. 

As alterações de pele (C4) como eczema, atrofia branca, pigmentação, lipodermatofibrose e feridas (C5 e C6) são manifestações cutâneas relacionadas a graus avançados de insuficiência venosa, devendo ter cuidado acentuado.

 

Entenda mais sobre as alterações na pele causadas pela insuficiência venosa:

 

Eczema: A tromboflebite está por trás da maioria das manifestações de Eczema. O oxigênio é diminuído nos tecidos e há uma reação inflamatória, provocando coceira, vermelhidão e presença de crostas. 

Atrofia branca: Está relacionada a insuficiência venosa crônica na maioria de seus casos e é caracterizada pelo surgimento de bolhas hemorrágicas, lesões elevadas na pele e quando há a cicatrização, a coloração branca da pele dá sua particularidade. 

Pigmentação ou hiperpigmentação: É observada na maioria dos casos e consiste no surgimento das dermatites, costumam apresentar tons acastanhados nos membros inferiores.

Lipodermatofibrose: É o enrijecimento da pele. 

As úlceras (C5 – C6) são o último estágio desta classificação, pelo seu fator de risco e importância nas complicações mais graves da insuficiência venosa, elas devem ser evitadas ao máximo. As úlceras indicam a destruição da pele e de seus tecidos (até mesmo os mais profundos), sua cicatrização pode durar mais de 6 meses. 

O surgimento de úlcera consiste em um ferimento, quando associada a insuficiência venosa, e é ocasionada pelo mal funcionamento valvular do sistema venoso, afetando a pele e provocando feridas que podem voltar a surgir mesmo depois de cicatrizadas.

 

Tratamentos da Insuficiência Venosa

 

Muitas são as doenças mas, também, muitas são as possibilidades de tratamento. Cada tratamento focado na melhora dos sinais e sintomas relatados e observados no paciente. 

O exame de ultrassonografia com doppler, realizado na clínica é o que vai, muitas vezes, auxiliar o médico na classificação da doença venosa e na aplicação do melhor método de tratamento.

Medicamentos

Os medicamentos, quando necessários, consistem no controle da evolução da doença e na diminuição dos sintomas e surgimento de edemas. Os fármacos utilizados, chamados de flebocinéticos e flebotônicos, são medicamentos que visam melhorar a drenagem linfática e a circulação do retorno do sangue venoso. 

 

Tratamento Clínico

Consiste na aplicação de técnicas de compressão e outras medidas de prevenção e curativos. Nestes casos, o médico vai receitar meias elásticas, exercícios físicos e mudanças na alimentação nos casos onde os sinais e sintomas atribuídos a doenças venosas se apresentam por dor, formigamento, queimação, inchaço, câimbras e cansaço ou seja, sem necessidade de cirurgia.

 

Escleroterapia

A escleroterapia é um procedimento que consiste na aplicação de substância irritante na veia varicosa e é mais indicada nos caos de telangiectasias. Uma substância é aplicada na forma líquida ou em espuma e é considerada um método seguro.

Tratamento Cirúrgico

Consiste na ressecção (extração) total das veias comprometidas, sejam elas tributárias (veias que ligam as veias principais às capilares) ou até mesmo a veia safena (safenectomia). 

Nos casos mais simples, são realizadas microincisões. Nos mais complexos, o médico pode se utilizar de outras técnicas, todas discutidas com o paciente e respeitando as contra-indicações. 

Uma dessas técnicas é a endovascular, que é a cirurgia por dentro da veia, com a utilização de cateteres.

Seja qual for a seu sinal ou sintoma, somente o médico poderá classificar corretamente o seu quadro clínico através da consulta, exames e análise. O autodiagnóstico, assim como a automedicação, é perigosa e impõe riscos para sua saúde. 

Não brinque com coisa séria, agende sua consulta e cuide da sua saúde.

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